“A educação para este período de nossa civilização ainda está para ser concebida e planejada e, depois disto, para executá-la, será preciso verdadeiramente um novo mestre, dotado de grau de cultura e de treino que apenas começamos a imaginar”. (Teixeira, Anísio S. 1963, p.10-19)
Vivemos um momento de constantes transformações. A sociedade atual encontra-se em profunda crise, na qual somos remetidos a repensar nossos valores e atitudes. A evolução rápida do mundo exige uma atualização contínua dos saberes, a própria educação está em plena mutação: as possibilidades de aprender oferecidas pela sociedade exterior à escola multiplicam-se. A complexidade e peculiaridades do mundo globalizado suscitam novas missões à educação, sobretudo a de promover um conhecimento dinâmico do mundo, dos outros e de si mesmas, combinando de maneira flexível as quatro aprendizagens fundamentais descritas por Jacques Delors: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser.
Nesse contexto incerto, de uma civilização agitada pela extrema difusão cultural e expansão dos meios de comunicação e das novas tecnologias, o papel do profissional da educação precisa ser repensado, contextualizado, favorecendo uma educação dirigida às necessidades das sociedades modernas. Já não basta que os professores ensinem os alunos a aprender, têm também que ensiná-los a buscar, a relacionarem-se entre si e as informações, formando o espírito crítico. “Tendo em conta a quantidade enorme de informações que circulam atualmente nas redes de informação, ser capaz de se orientar no meio dos saberes tornou-se um pré-requisito do próprio saber, constituindo-se, assim, uma via privilegiada de acesso à autonomia, levando cada um a comportar-se em sociedade como um indivíduo livre e esclarecido.” (UNESCO, MEC, Cortez Editora, São Paulo, 1999). Disponível no link http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000009.pdf
“O professor do século XXI é aquele que, além da competência, habilidade interpessoal, equilíbrio emocional, tem a consciência de que mais importante do que o desenvolvimento cognitivo é o desenvolvimento humano e que o respeito às diferenças está acima de toda pedagogia... A função do bom professor do século XXI não é apenas a de ensinar, mas de levar seus alunos ao reino da contemplação do saber.“ Prof: Vicente Martins (disponível em: http://www.sitededicas.com.br
Percebemos de que há um descompasso entre os modelos tradicionais de ensino e as novas demandas da sociedade e facilidades que as tecnologias atuais permitem. Nesse sentido, perguntamo-nos: quais seriam as ações estratégicas e políticas públicas que poderiam adequar a educação e seus profissionais ao complexo contexto atual, favorecendo o exercício de uma cidadania ativa aos educandos? Buscando responder a este questionamento, estruturamos este documento que sugere políticas públicas e ações estratégicas para fortalecer o papel do professor neste mundo globalizado e complexo mediado pelas tecnologias.
POLÍTICAS PÚBLICAS
• Estabelecer um padrão mínimo nacional de infra-estutura, docência e de tecnologias para as escolas públicas;
• Construir espaços de participação direta, indireta e representativa, nos quais a sociedade civil possa atuar efetivamente na definição, gestão, execução e avaliação de políticas públicas educacionais;
• Garantir a qualidade da escola pública através de mecanismos de autonomia, acompanhamento e controle formados por diversos setores da sociedade;
• Garantir prioridade de recursos financeiros para a educação pública, pois o compromisso com a qualidade é também compromisso financeiro com a educação;
• Consolidar plano de carreira para os profissionais do magistério adequado às necessidades de formação e qualidade de trabalho;
• Reestruturação da base nacional do currículo, considerando os pilares do conhecimento e os saberes para a educação do futuro;
• Reestruturação dos cursos de graduação para o magistério incluindo disciplinas obrigatórias com base nas tecnologias na educação;
• Estabelecimento de investimentos diretos da iniciativa privada à educação compensados através da dedução dos impostos;
• Fortalecer e estruturar os NTEs para que possam atuar na formação de professores nas TIC em serviço;
• Modernizar os prédios escolares e garantir estrutura tecnológica adequada nas escolas para proporcionar o ingresso/acesso à sociedade do conhecimento.
AÇÕES ESTRATÉGICAS
“Pensar na formação do professor para exercer uma adequada prática pedagógica para a modernidade, é pensar no amanhã, numa perspectiva moderna e própria de desenvolvimento, numa educação capaz de manejar e produzir conhecimento, fator principal das mudanças que se impõem nesta a antevéspera do século. E, desta forma, seremos contemporâneos do futuro, construtores da ciência e participantes da reconstrução do mundo” (MORAIS, 1993).
• Promover cursos sequenciados de formação dando uma estrutua tecnico-educativa contextualizados pelo núcleos dos NTEs;
• Criar ambientes facilitadores nas escolas, de modo a renovar a atitude docente, como a adaptação de metodologias que permitam a participação ativa do aluno no processo educacional, mediado pelas TIC’S;
• Abertura da escola para a mídia em direção ao diálogo, e a superação dos estereótipos que possam interferir na relação professor e novas tecnologias de aprendizagem;
• Promover situações didáticas capazes de aprender problemas globais e fundamentais para neles inserir os conhecimentos parciais e locais;
• Estabelecer o vínculo necessário entre as partes e totalidade do objeto de estudo capaz de apreender os objetos em seu contexto, sua complexidade, seu conjunto.
• Reconhecer a unidade e complexidade humanas, pondo em evidência o elo indissolúvel entre a unidade e a diversidade do ser humano.
• Centrar a educação na condição humana, situando o ser humano no universo e promovendo a consolidação dos conhecimentos das ciências naturais e humanas.
• Estimular o desenvolvimento da autonomia individual, da participação comunitária e do sentimento de pertencer à espécie humana – da unidade à diversidade.
• Promover ambiente dialógico e crítico estimulando as possibilidades de conhecer através da autonomia e mediado pelas TIC’S;
• Estabelecer estratégias de contextualização histórica e geográfica do conhecimento;
• Construir a consciência planetária através da participação social;
• Explorar as possibilidades do erro para ter condições de ver a realidade;
• Trabalhar o exercício da cidadania, da solidariedade e da responsabilidade social e planetária;
• Utilizar as tecnologias a fim de proporcionar o desenvolvimento da noção de pertencimento da identidade terrena, onde global e o local se relacionam;
• Desenvolver a conciência da solidariedade, aprendendo a viver juntos, reconhecendo que fazemos parte de única espécie: a humana;
• Estimular o educador a buscar a sua autoformação proporcionando o desenvolvimento da crítica reflexiva e autocritica, desenvolvendo assim o aprender a aprender fundamental na formação;
• Proposição de desafios para que o aluno possa construir e reconstruir a partir de hipóteses;
• Proporcionar situações que envolvam a prática do respeito, cooperação e convivência em grupo, desenvolvendo assim o aprender a viver junto e a compreensão humana;
• Tendo em vista a individualidade que se faz presente em nossa sociedade, cabe o educador promover situações que minimizem essa realidade, por exemplo promover gincana educacional e tecnológica que envolva toda a comunidade escolar,dessa maneira estará desenvolvendo a compreesão humana que é de suma importância para a elevação da auto-estima do aluno.
REFERÊNCIAS
Lèvy, P. A Inteligência Coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. Tradução de Luiz Paulo Rouanet. Edições Loyola, São Paulo, 2000a. ISBN 85-15-01613-3.
Lèvy, P. As Tecnologias da Inteligência: O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Ed. 34 Ltda, São Paulo, 1993. ISBN 85-85490-15-2.
Lucena, C.J.P; Fuks, H. A Educação na Era da Internet. Coleção Costumes e Protocolos: Clube do futuro, Rio de Janeiro, 2000.
MORAIS, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. Disponível em
UNESCO, MEC, Cortez Editora, São Paulo, 1999). Disponível no link http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000009.pdf
TEIXEIRA, Anísio. Mestres de Amanhã IN: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. V.40, nº 92. Rio de Janeiro: SE, 1963, p.10-19.
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